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domingo, 24 de fevereiro de 2008

Como escolho meus amigos (Wilde)



Escolho os meus amigos não pela pele ou por outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.Deles não quero resposta, quero o meu avesso.Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.Para isso, só sendo louco.Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.Não quero só o ombro ou o colo, quero também a sua maior alegria.Amigo que não ri conosco não sabe sofrer conosco.Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade.Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.Não quero amigos adultos, nem chatosQuero-os metade infância e outra metade velhice.Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.Tenho amigos para saber quem eu sou.Pois vendo-os loucos e santos, tolos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.“Que a felicidade não dependa do tempo,nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro.Que ela possa vir com toda a simplicidade, de dentro para fora, de cada um para todos.Que as pessoas saibam falar,calar e acima de tudo ouvir para que tenhamos certeza de que viver vale a pena.”
Oscar Wilde

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